Arquivos para o mês de: fevereiro, 2011

Na natação basicamente há dois tipos de virada, que é quando a gente chega na beira da piscina, mas quer continuar nadando. Tem a virada simples, que é simples, e a virada olímpica, que é complicada e restrita aos experts, profissionais, que é a que o Gustavo Borges faz.

Bueno. Quando aprendi a nadar – meu Deus, isso faz bem mais que dez anos! – fui aprendendo nessa ordem: nado crawl, costas, peito e golfinho. Aprendi também a virada simples. Mas, quando fui aprender a virada olímplica, que é a complicada, não deu certo. Antes de aprender a fazer a virada olímpica, você precisa aprender a virar cambalhota dentro da água. Que é uma coisa extremamente difícil e complicada, simplesmente não dá pra fazer.

As instruções são simples. É só prender o ar, pegar um impulso e virar cambalhota na piscina. Voilá! O fundamental é ir soltando o ar devagarinho, enquanto você vê o mundo subaquático girar. Se você não fizer isso, vai entrar muita água no seu nariz enquanto você perde a noção de tempo e espaço e quase se afoga e não lembra mais qual é o seu nome e precisa ser retirada às pressas da piscina e todos olham para aquela pessoa que não conseguiu fazer o que as crianças de cinco anos vivem fazendo na piscininha infantil.

Ok ok. Assumo que fiquei traumatizada quando tentei dar a primeira cambalhota dentro da água. Foi péssimo. Desde então nunca mais ousei aprender a virada olímpica. Nunca mais até hoje.

O professor de natação, depois do treino, falou: agora, pra finalizar, todo mundo treinando cinco minutos de virada olímpica. Lógico que não fiz nada e disse: professor, eu não sei fazer a virada olímpica. Então o professor entrou na piscina depois da aula e me ensinou a fazer a cambalhota e então eu consegui e aprendi a fazer virada olímpica, que, na verdade, é muito simples.

Poucos sabem, mas além de uma codorna, um pintinho e um coelho, eu já tive um camarão de estimação. Foi na época que a minha mãe mantinha um aquário em casa. Eu olhava aquela caixa de vidro cheia de água, plantas aquáticas, pedrinhas e peixes coloridos e aquilo não provocava nenhum sentimento em mim. Mas um dia, isso mudou.

Estávamos no glorioso litoral paranaense, se bem me lembro em Praia de Leste, eu e meu irmão. Andávamos, bem cedinho, na praia. Bem cedinho mesmo, pois a tonalidade da pele da caçula chata era muito branca e não permitia que a família acordasse tarde para ir à praia. Andávamos, com um baldinho e uma pazinha de plástico, em busca de conchinhas para decorar nosso futuro castelinho e… encontramos um camarão! Na areia! E não estava na panela, nem empanado, nem boiando em uma moqueca! Aquilo foi incrível! Ele até estava respirando! Meio desmaiado, coitado, mas respirando.

Rapidamente enchi o baldinho de água e fizemos uma operação salvamento para o pequeno crustáceo. Só que o baldinho era amarelo e não dava pra ter certeza se o camarão estava recuperado. Então cortamos a parte de baixo de uma garrafa de água e o colocamos lá. Aí sim foi possível vê-lo mexendo as anteninhas e dizendo obrigado crianças!

A temporada foi legal, ficamos com o camarão… mas, na hora de subir para Curitiba… o que faríamos com o coitado confinado na garrafinha de Ouro Fino? Claro que a mãe, já tentando antecipar o que aconteceria, disse que ele não sobreviveria à viagem (!?!). Mas não havia desculpa, afinal, havia um aquário em casa. A única dúvida que pairava sobre nossas pequenas cabeças era se um camarão de água salgada conseguiria se adaptar à água doce e aos seus novos companheiros coloridos e ao terrível Acará.

Chegando em casa, colocamos o Táceo no aquário e ficamos apreensivos. Todo dia de manhã eu acordava e ia direto ver se o Táceo ainda vivia. Nossa, todo dia era uma alegria nova ao ver que ele mexia as anteninhas e ainda colaborava para a limpeza do local. Se mexia sempre devagar para não assustar os vizinhos. E o dia da maior emoção foi quando o Táceo MUDOU DE CASCA! Nossa, aquilo era realmente incrível. A casca ficava lá, pairando na água, inteira, enquanto ele desfilava sua nova forma mole, mas muito maior que a anterior. Chegava a pensar se ele era mesmo daquele tamaninho antes da troca… a cada nova troca de casca, como ele cresceu!

E eu que não tinha a menor ideia sobre o quanto um camarão poderia viver, vi o que, presumo, seja a morte natural dos camarões. Uma vida que não acaba na panela, regada a limão nem espetada em um palito, ou mesmo abraçadinha. Ela acabou ali no aquário, quando ele cresceu demais e não teve forças para sair da casca mais uma vez.