faz tanto tempo que você não dava as caras e hoje você volta assim. eu lavando louça, com minhas luvas rosa-choque. nem acredito que vi você de novo batendo a minha porta. desde quando tudo o que eu tinha na vida era uma mala, um computador e uma TV ligada no chão você não aparecia! as coisas mudaram um bom tanto, mas foi só você voltar que tudo voltou ao seu lugar. benza deus! agora tudo faz sentido novamente.

se eu estivesse no jardim dos caminhos que se bifurcam, eu certamente teria entrado em algum caminho do labirinto que voltou exatamente ao ponto em que eu estava. achando que estava indo adiante eu só estava mesmo era voltando àquele lugar. hoje voltei, assim como você voltou. e tenho novamente aquela sensação de que há um mundo novo depois do primeiro passo.

foi bem naquele momento. eu abri a geladeira e você estava lá, naquela portinha do congelador que sempre quebra e se revela inútil. aquela portinha que eu quebrei quando fui a sua casa pela primeira vez, me achando a dona do pedaço, fui assuntar na sua cozinha, a única mulher-moderna com coragem suficiente para cozinhar, para ser a mulherzinha da turma. senti tudo aquilo novamente. você não brigou comigo porque quebrei a sua portinha do congelador e agora quis o destino que eu tivesse uma geladeira exatamente igual, pero sin puertas. más de lo mismo.

voltei, porque tudo volta.

Aquela portinha que sempre quebra

Aquela portinha que sempre quebra