Meio preto meio branco
O moreno do Pontalão
Quem come fica manco
É sacanagem não

Moreno é o pastel
em frente ao Pontalão
De chocolate feito mel
É sacanagem não

Meio preto branco e meio
Pastel cheio de recheio
Perto da rodoviária
Mas que história hilária
Meu amigo perde a hora
Porque come com demora
Oh moreno do Pontalão

É sacanagem não!

Certa vez eu contei neste blog sobre os homens que falam demais. Realmente, quando um homem dá pra falar, se segura minha amiga, porque você vai ouvir mesmo, vai ouvir muita coisa, mas nem 1% do que sair da boca do infeliz diz respeito a ele mesmo. Tudo será classificado como abobrinha. É a mania dos homens de generalizarem. Dizem “as mulheres gastam demais” querendo dizer “ontem minha mulher comprou um sapato de 600 reais” e é por isso que eles são mais aptos para a política. Mas isso é outra história. A história que eu quero contar é uma que me foi contada durante uma viagem entre o sertão do Maranhão e do Piauí. Alguém vai perguntar, mas que porra de idéia de ir ao Piauí foi essa? Não sei. Sei que fui ao Piauí e de repente eu estava sentada ao lado dessa tal Anísia, na carroceria de um Toyota 4×4 atravessando os 67 km mais longos da minha vida, com direito a atolar na areia do agreste e espantar filhote de jegue preto debaixo do cajueiro. A tal Anísia falava bastante também, falou que o gringo belga que estava com ela era um amigo e que viajavam pelo Brasil juntos. A cada parada para o carro desatolar, Anísia conseguia um moleque pra ir correndo buscar uma cerveja no bar mais próximo, mesmo que ele estivesse a 2 km de distância. Tudo para manter “o grau”. Foi Anísia que me contou sobre Luzmarina, uma amiga do interior de Minas Gerais que era fogo-na-roupa. Espevitada, ela andava as voltas com um figurão mais velho e casado, bem conhecido na cidade. Acontece que o tal figurão, mesmo casado, queria controlar a vida de Luzmarina e não parava de especular sobre as lacunas que ficavam entre um encontro e outro. Luzmarina podia ser espevitada, mas galinha ela não era. E gostava mesmo do moço figurão, por isso ficava com uma raiva do tamanho de uma jaca madura quando o figura levantava dúvidas sobre sua honra de moça fiel. Certa feita, o moço estava de bico porque achava que Luzmarina tinha se divertido em outras paragens. Ela negava, mas ele continuava a especulação e ele era realmente muito imaginativo. Luzmarina já começava a perder o bom humor tradicional de uma pessoa com a infelicidade de ter esse nome. Foi então que ela saltou do carro-de-boi e falou que ele que parasse que ela era moça direita e que se ele não acreditava nela, ele que arranjasse outra moça pra se amigar. Mesmo depois do arroubo de Luzmarina, ele não parou e continuou a contrariar as ditas dela. Foi o suficiente pra ela enlouquecer de raiva. Assim você me lasca o verniz da bengala! O que eu faço eu falo, sem tirar nem pôr, e pra provar eu to dizendo que vou tirar a roupa aqui no meio da rua se você continuar a dizer que não acredita em mim. Já olhando de lado e vendo a cara e a baba do boi que não tinha nada a ver com a discussão, Luzmarina tirou a roupa ali mesmo. Ela, que tem por hábito não usar sutiã, pagou peitinho pra cidade inteira. Ela mostrou, mas ninguém viu porque já passava da meia-noite e lá onde Luzmarina mora o povo acordava com as galinhas. Depois ela confidenciou a Anísia que queria mesmo era parar com aquela discussão ridícula e partir para a ação. Mas o moço, ao ver a nudez súbita de Luzmarina, nem tomou a atitude de gentleman de cobrir a moça até que ela se acalmasse, nem tomou a atitude de cabra-macho do agreste de agarrar aqueles peitos e fazer o que tinha que ser feito ali mesmo pra acabar com a histeria da moça. Ao invés disso, o moço achou uma terceira opção, desfazendo dessas duas ótimas opções que agora coloquei. Claro que a inventividade dele não funcionou naquele momento e a presença de espírito virou espírito de porco: o figura se assustou com os melões desnudos, lascou uma chibatada no boi e saiu em disparada, para não ser visto com toda a sua dignidade de homem casado ao lado de uma moça louca e nua no meio da vila. Anísia contou que ficou com pena da pobre Luzmarina, mas disse também que ela não se fez de rogada e gritou seu bananaaaaaaaaa! o que deve ter surtido alguma reação, pois enquanto ela tomava o rumo de casa, já vestida, o moço voltou com o carro de boi, disse que acreditava nela e até quis bolinar. Mas Luzmarina com a mão apertando a gola da camisa de renda de bilro disse apenas vá pra casa e bata punheta pensando nos meus peitos. Como ele era um banana mesmo, acatou as ordens, foi pra casa e não sei o que aconteceu porque aí já deve ser outra história e essa a Anísia não me contou.

Bom, como minha mente não está nem aí para atividades intelectuais, encontrei uma nova forma de colocá-la em ação: escrevendo algumas memórias.

Sim sim. Tá certo que não tenho lá uma vida muito longa para ter aqueeeeelas memórias, mas já há algumas bem divertidas. Ontem, ao ler sobre o novo técnico da Seleção, não pude deixar de lembrar de um certo comportamento completamente condenável que tive quando tinha hum, deixe-me ver, 11 anos. Eu nunca contaria isso de livre e espontânea vontade. Digamos que isso só poderia fazer parte de uma conversação entre amigos caso estivéssemos no tradicional Jogo da Verdade. Mas, para o bem da renovação deste blog, abro-lho aos caros leitores.

Pois bem, a questão é que todos nós já tivemos algum tipo de paixão platônica por aquele garoto que nunca soube que a gente existia. E essa paixão foi a responsável por muitos momentos de boçalidade completa e total cabacice. Estou errada?

Então, já que todos temos essas histórias, vou revelar uma de minhas paixões platônicas – pois saibam vocês que os CDFs e nerds as têm aos montes.

Certo, será dolorido, mas conto. E já que vai ser assim, que seja de forma rápida e brutal:

eu-fui-apaixonada-pelo-Dunga-e-cheguei-inclusive-a-descobrir-o
telefone-da-casa-dele-em-Porto-Alegre-e-ligar-pra-ele-e-e-não
dizer-absolutamente-nada-e-e-e-isso-foi-na-época-do-Tetra-ponto

Essa é a história.
Sem mais para o momento,
esfacelo-me aqui.

Quando se tem um pai auditor fiscal da receita federal algumas coisas são diretamente afetadas pelo modo como seu pai ganha a vida. Uma das principais diferenças entre a nossa e as outras famílias da face da terra é o vocabulário utilizado.

Mesada? Esqueça. O que vai pingar todo mês na sua conta é uma VERBA mensal. As demais pessoas, ao invés de serem sujeitos, caras, pessoas, na verdade são CONTRIBUINTES. “O contribuinte chegou na minha sala perguntando onde era o banheiro…”

Seu presente natalino virá sempre na forma de um ABONO DE NATAL. E quando você precisar trocar as rodas do carro e encontrar um lugar com preços razoáveis, o orçamento terá de ser APROVADO antes pelo seu pai para você fazer a compra, inicialmente com seu dinheiro. Obviamente que a VERBA só lhe será RESTITUÍDA se você apresentar as respectivas NOTAS FISCAIS.

MUAMBA? Nada disso. A palavra certa é CONTRABANDO, para que você sinta toda a contravenção instituída no ato de você pedir praquele amigo seu “trazer do Paraguai” aquela tal placa de vídeo que você está precisando.

E, por fim, caso você sempre se comporte bem e seja uma boa filha, pode ser que, ao invés de você cair na MALHA FINA, você ganhe um ADICIONAL na sua VERBA.

***
hehe

A pirmeira coisa que a gente aprende a escrever é o próprio nome. E certamente que a primeira coisa que a gente escreveu na vida foi a primeira letra do nosso nome. Nisso a letra H me trouxe alguns traumas e muitas lições precoces.

A letra H, essa letra tão cheia de volutas, me ensinou a ter paciência para escrever meu nome.
A letra H me ensinou que, mesmo eu já tendo aprendido a escrever o H, seria preciso praticar bastante para que aquilo que se parecesse com um H.
A letra H me ensinou a compreender que nem tudo precisa ter uma utilidade ou uma aplicação prática. Basta ser bonito e legal.
A letra H me ensinou que o diferente pode passar despercebido, mesmo sendo bonito e legal.
A letra H me ensinou que o diferente é bem difícil de escrever.
A letra H me ensinou que existem coisas que as pessoas não nos falam, mas a gente sabe que está lá.
A letra H me ensinou que o silêncio tem nome e sinal gráfico.

A letra H do meu nome me ensinou que certas coisas que a gente escreve são para não serem ditas.

Por que a banana nanica tem esse nome, já que é maior que a banana maçã que, justamente por isso, teria o direito de receber o nome de “nanica”? Esta é uma questão que vem afligindo os brasileiros desde o início da criação das nomenclaturas populares das espécies de banana.

Caros, bem explico-vos no texto que se segue.

A nomenclatura de banana nanica para a espécie de maior tamanho entre as bananas é perfeitamente compreensível levando-se em conta o contexto histórico da formulação de tal atribuição adjetiva.

A história toda iniciou-se quando o compositor João de Barro, ao sugerir que se utilizasse o existencialismo como tema de uma marchinha de carnaval, compôs Chiquita Bacana com Alberto Ribeiro. A imprensa da época fazia ampla referência ao existencialismo – Sartre, Camus, Simone de Beauvoir e, principalmente, o lado não-científico do movimento, que abrangia os “existencialistas” boêmios, habitués das caves parisienses e seus costumes exóticos.

A marchinha Chiquita Bacana, como sabemos, trata de uma moça da Martinica que se veste com uma casca de banana nanica. Não usa vestido, não usa calção, inverno pra ela é pleno verão. Existencialista com toda a razão, Chiquita só faz o que manda o seu coração.

A história por trás da história, que ninguém conta, é que “os existencialistas” e seus costumes exóticos chamavam a atenção da opinião pública e dos cidadãos de bem da época, defensores da moral e dos bons costumes, que ficavam horrorizados com o comportamento libertino de tal corja de botequeiros cirróticos adoradores da Chiquita.

Mas fato é que a marchinha fez amplo sucesso nos três carnavais seguintes e a moda da banana nanica alastrou-se pelo país como a febre do feno. Os cidadãos de bem, ao observar a influência de tal mau exemplo para as môças de família, buscando minimizar a euforia masculina causada pela vestimenta de Chiquita, exigiram que a tal casca de banana nanica ficasse a no mínimo quatro dedos abaixo do joelho – o que era impossível para a então banana maçã, a verdadeira nanica.

Os cidadãos de bem exigiram que a banana caturra assumisse a alcunha de “nanica” para que as môças de família passassem a usar cascas de bananas suficientemente grandes para que encobrissem suas partes mais chamativas.

Um decreto do Presidente da República tratou de resolver o impasse e mudar o nome da banana nanica para banana maçã e o nome da banana caturra para banana nanica (de quebra, o decreto também proibiu o uso do maiô de duas peças).

E assim nasceu um dos maiores contra-sensos envolvendo nomes populares de frutas, ao lado dos casos da fruta-pão e do tomate-na-seção-de-verduras.

Duas aranhas albinas, de cinco pernas cada uma. Felizes as duas meninas saíram para passear.

Duas aranhas albinas, cinco pernas, nenhum pêlo. Arranham o jarro, arranham a aranha, pisoteiam tuas costas sem ouvir qualquer apelo.

Duas aranhas albinas, cada perna uma métrica. Mancas caminhantes, eu falo, tu falanges.

Duas aranhas albinas, cinco pernas três desejos. Atravessam morros, florestas e lugares que nem vejo.

Duas aranhas albinas, não pense besteira, não seja tolo. O pai-de-todos é o fura-bolo.

como era doce o sabor da cajuína.
depois de beijar-te a boca traquina
de ressaca eu fiquei, que sou franzina
sem outro caminho, tomei neosoldina.

passado o efeito, veio outra menina.
em minha boca, doce virou azedina
e compreendi minha grave e triste sina
de ter uma vida absurda e libertina.

o coração quebrado levei à oficina
lá me disseram – muda pra Teresina!
afoguei as tristezas na noite latina
e a partir de agora, eu tomo é aspirina.

algumas vezes os botões se reúnem para uma pequena partida de futebol. curioso que, ao contrário das rodadas do brasileirão, a pelada dos botões não tem dia fixo da semana para ocorrer. os botões frequentemente se acidentam irreparavelmente nos jogos, o que pode provocar sérios desfalques. muito comum nos torneios dos botões são os empréstimos de jogadores de outros times. os botões, apesar de conversarem muito entre si, não têm o costume de assistir seus colegas jogarem. o espetáculo acaba ficando mesmo é para os homens. depois das partidas, o time volta para o vestiário, geralmente de plástico transparente e não saem de lá até que uma outra partida seja disputada. agora é preciso fazer uma revelação que pode fazer muitas pessoas ficarem chocadas. a verdade que um botão me contou é que os goleiros do time… bem, os goleiros NÃO SÃO botões. eles são tijolinhos cheios de areia. é difícil encarar a realidade, mas os botões não têm vocação alguma para serem goleiros.

os botões são muito solitários, pois cada um tem sua casa. mas há um botão muito peculiar, que é botão e é casa ao mesmo tempo. é o botão mais bem resolvido com o qual já conversei (e cá entre nós, com esse eu converso bastante). todo mundo vive querendo esse botão. é batata. alguém levante a mão se achar que o seu botão não ainda não ouviu nenhuma proposta de ser abotoado. esses botões são muito tímidos, demoram pra se soltar, para conversar com estranhos. por isso a pior coisa que existe para um botão é ouvir uma proposta dessas. ele fica, digamos assim, acuado. o sentimento é mais ou menos como quando te oferecem e insistem para que você tenha um cartão de crédito. vamos fazer um cartão de crédito hoje? e o botão diz não, obrigado. é de graça! não. a primeira anuidade é grátis. não. mas veja as vantagens. não. e se você não quiser pagar anuidade é só cancelar no meio da utilização. não. quando finalmente desistem, basta que você passe novamente pela rua XV para que eles voltem a oferecer o cartão de crédito. afinal, quem sabe agora vai, não é mesmo? não queria ontem, mas hoje pode querer.